Todos sabem que eu não gosto de manga
E que meus jeans são como um exoesqueleto
Eles me esperam enquanto desço as escadas
Lembram meu problema no joelho
E eu amo que me conheçam
E é tão triste ser tão previsível
Eles discutem minhas opiniões
Me ninam como criança
Seguram minha mão quando digo: Te amo!
Depois de uma malcriação
Não entendo por que me sabem
E é estranho ser tão previsível
Não me oferecem refrigerantes de laranja
Me compram esfihas de queijo
Brigam pra que eu não coma camarão
Conhecem minhas alergias
É tão lindo que me conheçam
Não posso evitar, sou previsível
É engraçado vê-los me protegendo dos palavões
E de algum comentário que talves ofenda minha fé
É fascinante o questionamento com a minha conduta
E a indagação do motivo de eu assim viver
Honestos com suas dúvidas
Surpreendentes aceitando sem entender
Tão compreensivos com minha memória ruim
Teimam comigo até quando eu me lembro
Sabem que minhas certezas não são tão certas
Trazem decoradas todas as minhas respostas
Meus amigos sabem mais de mim
Já sei quando serão minhas férias do trabalho, só falta uma prova que ninguém sabe quando será... o ano ta acabando. Muitas vezes nos vimos as voltas com discussões a respeito de amor, amizade, ‘jurisdição’. Todas ideologias tolas, filosofias insignificantes que giram em torno de si mesmas e não geram soluções, muito menos novas perguntas. Me parece menos anormal assumirmos que nos preocupamos com a opinião dos outros, que escovamos o cabelo e nos vestimos adequadamente (ou não) porque o outro vai ver, afinal, os índios sem espelhos também se enfeitavam. Em muitos outros casos a opinião alheia é absurdamente requisitada e importante, loucura é negar isso. Mas eu vou sentir falta desta pregação contrária a história que ouvi nos últimos 9 meses. Vou sentir falta também do flerte torto, das piadas tontas, do abraço cheiroso e dos olhares que indicam que aquela cena deverá ser marcada, porque haverá comentários futuros. Vou sentir falta da cumplicidade e dos momentos de ócio puro. Receio que algumas dessas coisas jamais voltarão, mas sei que umas poucas vão estar me esperando quando março chegar, dando um ar familiar as paredes beges e ao chão cinza aos quais nunca me acostumo. Cada galanteio despreocupado foi muito importante. Cada “volta aqui!” foi único, embora agora pareça tão distante. Cada discussão, sobre nota, sobre gente, sobre comida, sobre vida... vou sentir falta das batatas de carinha na arquibancada... Muitas e muitas vezes nos domingos chatos que a segunda contamina, senti que era um ano perdido, mas agora sei que as pessoas que conheci e as situações que vivi são parte do que eu sou, e talvez mais que as matérias, serão úteis no futuro. Serão férias curtas, mas sentirei falta, eu sei.
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